MEMORIAL

JORGE LUIS BORGES

"Minha sepultura será o ar insondável"

"Não me dar o Prêmio Nóbel é uma velha tradição nórdica"

"A metafísica é um ramo da literatura fantástica"

"O casamento é um destino pobre para uma mulher"

"Os pesadelos são fendas do inferno"

"O suicídio é um rito que nossos generais derrotados optam por omitir"

"A glória é uma das formas do esquecimento"

"Deus criou as formas do espelho para que o homem sinta que é reflexo e vaidade"

"Consagrei minha larga vida às letras, à cátedra, ao ócio, às tranquilas aventuras do diálogo,

à filologia que ignoro, ao misterioso hábito de Buenos Aires e às perplexidades que,

não sem alguma soberba, chamam de metafísica"

"Os artigos filosóficos de Borges são o débil artifício de um argentino

extraviado na metafísica"

"Não bebo, não fumo, como pouco.

Meus únicos vícios são ler a Enciclopédia Britânica e não ler Enrique Larreta"

"Não me interessa em absoluto o juízo da posteridade.

Espero ser esquecido totalmente"

"Quero morrer de todo - e logo - porque estou farto de ser Borges (depois dessa declaração,

Borges viveu mais de 18 anos)"

"Só os imbecis nunca mudam de idéia"

"A ironia é algo que aprecio e de que sou totalmente incapaz"

"O luxo é falta de educação"

"Economista é o ministro que arruina a pátria"

"A fé é um dever"

"Eu costumava demorar-me sem fim diante das jaulas do jardim zoológico,

apreciava as enormes enciclopédias e os livros de história natural,

pelo esplendor magnífico dos seus tigres"

"Uma famosa página de Blake faz do tigre um fogo que resplandece

e um arquétipo eterno do mal; prefiro aquela sentença de Chesterton,

que o define como um símbolo de terrível elegância"

"Não há outro tempo que o agora, este ápice do que será,

do que foi, daquele instante em que a gota cai da clepsidra"

"Chego a meu centro, à minha álgebra, ao meu espelho. Em breve, saberei quem sou"

"Comovem-me as vulgares sabedorias que se perdem em qualquer falecimento.

Ridícula é a plêiade de aliviados reunida em torno do que não mais sabe :

do morto, para acompanhá-lo em sua primeira noite na morte"

"Publicamos para não passar a vida corrigindo rascunhos.

Quer dizer, a gente publica um livro para livrar-se dele"

"Paul Valery é o herói da lucidez que organiza.

Um homem que, num século que adora os caóticos ídolos do sangue,

da terra e da paixão,

preferiu sempre os lúcidos prazeres do pensamento e as secretas aventuras da ordem"